sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Azar

Algumas coisas tão simples de serem feitas, às vezes parecem sonhos que nunca serão realizados. Acho que até de sonhos podemos mesmo chamá-las. No começo parece que o tempo é tão distante, mas vai se aproximando com a impressão de surrealidade e, de tanto parecer surreal, acaba mesmo se tornando; o tempo se aproxima, tudo se aproxima da realidade e somos pegos de surpresa pelo o que devem chamar de azar. Azar sem considereção com o próximo, azar de quem se importa e não consegue dormir e também sem sono quase nada dá certo.
Tudo volta a ser tão distante. Dizem que tudo vai dar certo.

domingo, 20 de setembro de 2009

Desencontro

A sua lembrança me dói tanto
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual

Sobrou desse nosso desencontro
Um conto de amor
Sem ponto final
Retrato sem cor
Jogado aos meus pés
E saudades fúteis
Saudades frágeis
Meros papéis

Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu


Chico Buarque

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

meu gato

deitado no meu travesseiro o dia inteiro, ele olha para mim como se sentisse e entendesse o que eu estou sentindo. Como se também estivesse interessado no livro/lembrança que ficou aqui e eu acabei lendo. Mais: me olha com uma expressão de quem já sentiu o coração pequeno por ser quase obrigado a esquecer um sentimento pela distância, pela improbabilidade de encontro. Tem também o tempo - meses ou anos. Da última vez foram anos. A solidão ou a falta dela. Tem tudo, tenho tudo e não tenho nada. Nunca tive isso, mas ainda quero ter por tempo infinito, se é que um dia vai ser possível.

Me olha como se eu fosse muito piegas em pensar nisso tudo, ainda mais depois de já ter passado por tanto parecido (acho que nunca assim), depois de ser - por tanto tempo - tão vazia de esperanças e tão cética em relação a tanta coisa. Como pode. Tantas dúvidas e agora nenhuma me resta, nenhuma além do tempo.

Não quero esquecer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

mais um pouco de paranóia

Não sei se é só comigo ou se acontece com outras pessoas também, mas quando eu me deparo com uma situação complicada - ou simples, algumas vezes - começo a ter uma serie de pensamentos e formas de interpretar o que eu estou passando e isso acaba me confundindo, de certa forma. Entretanto, ultimamente eu tenho a impressão de que é o primeiro pensamento, a primeira interpretação que está correta. O complicado de tudo isso é que me parece impossível aceitar toda a porcaria - que está em frente a mim -  e colocar um ponto final no motivo da minha preocupação. Aí então começa todo o stress e a ansiedade e a paranóia e as reflexões sobre como agir, como pensar. Ridículo, eu sei. Parece castigo, na verdade. Parece castigo pelo simples fato de eu ter julgado e quase não ter aguentado mais uma pessoa muito próxima que tinha essa mesma mania. Castigo; acabei pegando. Queria conseguir mudar antes que o mundo inteiro resolva me ignorar de vez e antes que todos os meus textos tenham como tema central a minha paranóia e a minha visão de que eu sou uma merda.

Comecei, novamente, a expressar pra quem quer (e pra quem não quer saber) tudo o que me deixa mal e irritada. Eu não sei qual é a minha dificuldade em conseguir me controlar - mas tô tentando.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

esquecer e esse tipo de coisa

Qual é a sensação de perder alguém? Talvez eu já tenha exposto minha visão sobre isso muitas vezes, mas meu problema é que esse assunto nunca vai sair da minha cabeça. Conhecer alguém implica imediatamente a possibilidade de ter que "esquecer" mais tarde, em algum momento. E isso simplesmente não me parece certo. Para mim, uma das piores sensações que já experimentei foi a de me ver obrigada a me afastar de alguém e, pior ainda, passado um tempo, de perceber que já não conheço mais esse alguém como conhecia antes e de que, simplesmente, isso é indiferente pra todos. Menos para mim. 

E o que me faz me sentir mais idiota, é a facilidade com que consigo não gostar de alguém e, ao mesmo tempo, sentir um carinho gigante que parece que nunca vai acabar. Pode parecer meio piegas, mas sinto isso por muitas pessoas que nem lembram mais da minha existência na vida delas; por umas mais e por outras menos, mesmo assim sinto. Algumas vezes chego a pensar que só eu me aflijo por esse tipo de coisa; têm tanta gente que acha fácil e normal e até mesmo saudável apagar umas pessoas  e uns sentimentos. Ok, talvez eu não seja saudável por desejar continuar participando da vida das pessoas que participaram da minha. Ainda assim, continuo me perguntando se não seria melhor ser como todo mundo.

Outro dilema na minha vida é a importância e o desejo e marcar e mudar a vida de uma pessoa próxima - ou não. Vejo que já mudei o jeito de algumas pessoas, amigos ou não amigos, e isso é uma das piores coisas do mundo: conhecer uma pessoa de um jeito, achar ela maravilhosa e, com o passar do tempo acontece qualquer coisa e com um pouco mais de tempo, já não se consegue reconhece-la. Admito que pode ser um pouco que egocentrismo pensar que posso ter mudado o jeito de alguém, ou ter deixado esse tal alguém tentando ser diferente, até por que na vida somos influenciados por muitas e muitas coisas. Entretanto, são as pessoas mais próximas que nos deixam com vontade de sermos melhores; o problema real está quando somos magoados por quem é muito próximo, nos decepcionamos, tentamos ser completamente diferentes, tentamos simplesmente fazer todo o possível para esquecer quem nos fez "mal". E aí voltamos para a primeira parte da minha agonia: o esquecimento. Será que a vida não podia ser mais simples? Qualquer acontecimento destrói com qualquer imagem boa que temos de alguém. E pra mim ainda é pior: mesmo odiando eu continuo sentindo algum carinho e pensando no mal que eu posso ter feito e na maneira que eu posso ter agido errado. O meu problema é que eu não gosto da idéia de pessoas boas saindo da minha vida. 

Talvez seja realmente melhor - não necessariamente pra mim mesma - deixar de lado laços passados e as lembranças. Talvez as pessoas realmente mudem por mudar e talvez seja egoísmo querer prender alguém a mim só pela minha necessidade de continuar tendo notícias e me relacionando. A verdade é que talvez eu ache isso um assunto tão complexo que eu nunca vou conseguir respostas satisfatórias pra todas as minhas dúvidas e nem vou ter uma opinião formada sobre a maioria das coisas que eu penso ser certo ou errado. Provável que daqui algum tempo eu volte a falar sobre isso.

sábado, 11 de julho de 2009

sobre a vida

Vivo a vida no hoje. Depois de muitos anos me lamentando pelo passado e me angustiando pelo futuro, aprendi que o melhor pra mim é viver hoje. Parece algo meio batido, mas é verdade. De todos os meus defeitos, o pior era o sofrimento por antecipação e o arrependimento por coisas que eu deixei de fazer ou fiz. Claro que nada é pleno na vida, nem esse sentimento/decisão de gostar só do presente, confesso que ainda sofro com a minha consciência e minha imaginação, mas pelo menos corto esse tipo de pensamento logo que ele vem, no ato. 

Achei besteira quando um colega me falou que ele estava tentando esquecer qualquer pensamento negativo que passasse pela cabeça dele, e substituir esse pensamento por um positivo. Achei meio forçado, ainda acho; acho que não é da natureza humana ser completamente positivo, esse alto astral exarcerbado. Fiquei pensando, porém, se isso realmente melhoraria alguma coisa na minha vida, tentando fazer isso agora. Mais importante: tentando viver o agora e como eu quero, quando eu quero, e o que eu tenho vontade; às vezes eu dou de cara no chão, mas na maioria das vezes, vale a pena. 

É difícil esquecer meu pessimismo, é MUITO difícil, ainda mais lendo Bukowski todos os dias. Mas eu vou vivendo. Um dia eu acho a vida linda, outro dia eu acho ela horrorosa e no outro eu acho que todo horror é o que torna ela divertida, é por causa de todo esse horror que eu busco algum prazer; em qualquer coisa. Imagina se a vida fose realmente maravilhosa, que ânimo nos teriamos para tentar fazer dela melhor? Só viveriamos todos os dias iguais, sendo plenamente felizes e plenamente sempre a mesma coisa. A vida só é maravilhosa pra quem não busca meios de torná-la melhor, se cegando com uma ilusão de que nada poderia ser mais perfeito.

domingo, 5 de julho de 2009

tem quem queira

E no jogo do "amor" todo mundo sempre sai diferente de como entrou. Por amor entenda amor/sexo/interesse. Uns querem, outros não. Os que querem ficam tristes quando acaba, os que não querem se sentem mal por terem acabado com a alegria de alguém. Os que não querem acabam querendo e, mesmo não querendo, não conseguem não querer. Os que não querem, só querem sexo, mas às vezes também querem algum carinho. Esses, querem, mas não podem querer exatamente porque querem; porque tudo é muito bom. E daí depois a gente saí diferente de como entrou. E não tem banho que limpe a consciência, só tem os hematomas para sumirem, em cinco ou sete dias. Pode-se trocar os lençóis também. Usar e testar lençóis novos, adquirir novas lembranças. E, novamente, saímos diferentes.